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F1

Antes do Guardião de Valor, os 3 degraus que você sobe sozinho

A jornada pessoal de maturidade em IA que precede qualquer projeto organizacional, e por que não existe atalho que pule o primeiro degrau.

Uso a IA no dia a dia há tempo suficiente para perceber uma diferença clara, não no que ela entrega, mas na forma como as pessoas se relacionam com ela. De um lado, quem acha que usar IA precisa ser algo revolucionário: um super prompt, dominar o conceito de skill ou de agente, como se a ferramenta só estivesse disponível para quem já é especialista. Do outro, quem tenta reduzir o potencial dela, dizendo que não substitui pessoas ou que é arriscada demais. Os dois extremos levam ao mesmo lugar: a inércia. Um adia por achar difícil, o outro adia por achar perigoso.

O que aprendi, na prática, é mais simples: o mais importante é começar a usar. A fluência com qualquer ferramenta vem do uso repetido, não do estudo prévio. E, em Finanças, a virada para mim foi parar de tratar a IA como projeto à parte e passar a tratá-la com a mesma naturalidade com que "abro um Excel".

Essa jornada tem 3 degraus, e cada um só faz sentido depois que o anterior amadureceu:

Degrau 1, Produtividade. Uso da IA como ferramenta do dia a dia: acelerar análises, modelagens, apresentações. A passagem para o próximo degrau só acontece quando esse uso já é natural e você ganhou confiança e fluência real.

Degrau 2, Soluções e automações. Crítica honesta ao processo, depois automação de ponta a ponta: aplicações locais, dashboards e relatórios com um clique. Só avança quem tem processos maduros, dados organizados e alguma governança; de nada adianta automatizar um fluxo que já nasce confuso.

Degrau 3, Geração de valor. Integração de sistemas, mapa do negócio e agentes que geram insight e decidem dentro de regras controladas. É a consequência natural dos dois degraus anteriores, não existe atalho que dispense começar.

É exatamente nesse terceiro degrau que vivem os conceitos que venho descrevendo nas terças e quintas sob o nome de Guardião de Valor: circuitos de decisão, alçadas, valor medido. Mas antes de qualquer circuito organizacional, existe uma pessoa que subiu os 3 degraus sozinha. E existe um perfil que atravessa os três e os conecta: não é quem programa, é quem parte de uma dor real e persegue até virar valor. No mercado de tecnologia esse papel já tem nome, Forward Deployed Engineer, ou FDE, adaptado da Palantir, mas prefiro apresentar primeiro a função e só depois a sigla. Vou desenvolver esse conceito nas próximas semanas.

💡 LIÇÃO APRENDIDA

O erro não está em começar pequeno, está em não começar. Suba os degraus na sua velocidade, mas suba todos, na ordem.

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