Há 12 quartas comecei essa série contando que ia escrever sobre uma coisa diferente do que publico nas terças e quintas: não o Guardião de Valor institucional, de fora para dentro, mas a visão de dentro, como eu, pessoalmente, uso IA antes de qualquer circuito, qualquer alçada, qualquer sistema. Hoje fecho essa jornada, e quero fechar com o critério mais difícil de todos: como eu decido que um piloto de IA acabou.
A resposta que aprendi, na prática, é que "deu certo" e "não deu" não são decisões, são desculpas para não decidir. Um piloto de IA bem conduzido termina sempre em uma de 4 decisões concretas.
Escalar, quando valor, qualidade e adesão superam os critérios que eu tinha definido lá no início, no contrato de valor. Essa é a decisão mais fácil de tomar e a mais difícil de merecer, porque exige que os critérios tenham sido definidos com rigor antes, não inventados depois para justificar o resultado que já apareceu.
Iterar, quando a hipótese continua promissora, mas existem falhas que dá para corrigir. Boa parte dos pilotos que conduzi passou por aqui pelo menos uma vez, e não tem problema nenhum nisso, desde que a iteração tenha um prazo e um novo critério, não vire um piloto eterno.
Reduzir o escopo, quando o valor existe, mas só em determinados pacotes, tipos de desvio ou perfis de usuário. Às vezes a resposta certa não é "sim" nem "não" para o piloto inteiro, é "sim, mas só para essa fatia".
Encerrar, quando a melhoria não compensa o custo e o risco envolvido. Essa é a decisão que mais gente evita tomar, porque parece admitir fracasso. Mas encerrar um piloto que não se paga, com critério e a tempo, é exatamente o oposto de fracasso: é o método funcionando como deveria.
Olhando para trás, essas 12 semanas seguiram uma lógica que só fica clara no fim. Comecei pelos 3 degraus que qualquer pessoa sobe sozinha: produtividade no dia a dia, depois a crítica honesta ao processo e a automação, depois a geração de valor propriamente dita. No meio do caminho, apresentei o perfil que atravessa os três degraus e os conecta, o FDE de Finanças, alguém que não precisa programar, precisa ser dono de um problema até ele virar resultado. E nas últimas semanas, tratei do rigor que separa piloto sério de opinião: os indicadores certos, o contrato de valor de uma página, e agora, o gate de decisão final.
Essa jornada pessoal, levada à escala de uma organização inteira, com circuitos, alçadas e valor medido de forma sistemática, é exatamente o que venho descrevendo nas terças e quintas, na série Guardião de Valor. As duas séries sempre foram a mesma ideia, vista em dois tamanhos diferentes: o indivíduo que sobe os degraus sozinho, e a empresa que constrói isso como capacidade permanente.
💡 LIÇÃO APRENDIDA
Um piloto de IA nunca termina em "deu certo" ou "não deu". Termina em escalar, iterar, reduzir o escopo ou encerrar, e as 4 são vitórias do método, não só a primeira.